segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Rara.
Ecoa! Segue o seu riso dominante. Com essa alegria confiante. Inabalável liberdade. Abraça. Acolhe utopias e feridas, resgata lembranças adormecidas. Transforma tuas mágoas em águas passadas. Exala toda a fé contida. Passeia pela vida. Ri de escorregões. Sequestra abraços, invade corações e pula os portões. Mistura dentro e fora. Seja a própria obra. Faça sua arte. Pinte o sete e a ninguém revele o segredo do arco-íris, que além vai encontrar. Com-paixão, recolhe o sofrimento e livra dos tormentos, entre-linhas à brincar. Segue a reta mas nunca siga à risca, moça tão arisca. Você vai alcançar. Felicidade já é tão bem vinda. Abre o peito e dá, de dentro pra fora. Pra multiplicar.
Minha casa abandonada.
No final da rua tem uma casa. Abandonada. Escura. Empoeirada. Não me atrevo a ir lá. Se passo por perto, logo quero me afastar. Os arredores são cercados de enfeites, virtuosismos. Distrações. Apagada: a luz queimada desde o último inquilino. Saiu expulso. Arrancado de um lar que não lhe pertencia. E deixou tudo bagunçado; quinquilharias empilhadas que levaram anos pra serem retiradas. Ainda acham resquícios, catam as sobras. Mas logo jogam fora. Foi uma mudança longa. Levou-se um caminhão de lembranças... Foi trancada por dentro e a placa "Aluga-se", substituída por "Indisponível". Nada habita. Não chego a ir lá. Observo. Tento tomar coragem pra me aproximar. E se doer? Se saltar um monstro com dentes e garras? Se ele me arranca daqui e me leva pra lá? Não posso. Não tento. Não penso. E fujo. Só-corro! Minha corrida retrocede, sonho. E se procuro, não acho. Estanco. Pé ante pé. Ando. Paro. Adentro. Me perco e lá dentro, me encontro.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Mãe menina.
O coração cresce até parir amor. Busca em sorrisos encantados. Teu abrigo. Engole o mundo. Vira barriga. Nove meses pra gerar. 365 dias pra girar. Dá a luz. Força, puxa, empurra, respira. Inspirando vai. Ama. Mãe sem filho que adotou o mundo.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Contos de fadas.
Embora sua trança vermelha despencasse lá de cima, não ousava descer daquela torre. Enxergava o mundo através das lágrimas, espelho da autocrítica, medo. Desvelo. Zelo? A coragem ficava guardada dentro de uma caixinha de tocar; ora aberta, ora escondida. Nunca movida. O vento batia mas ela não deixava entrar. Algumas vezes, os fantasmas fotografados em seu mural, pen drive e camarfeu, vinham lhe assombrar. Não permitia medrar, não permitia recuar. Mas não ia adiante. Não se movia. Estabilizou num momento que não recordava mais, que não buscava. Abria os braços em prece. Talvez alguem escutasse seus murmúrios tão tímidos, tão tristes, tão recordáveis. Entre gavetas, recortes, cadernos, se metia. Sabia do mundo e o mundo, dela, não sabia nada. Se sentia injustiçada por não ser buscada, procurada, reivindicada pelo príncipe encantado. Toda noite, o sono eterno vinha lhe visitar. E o beijo do despertar lhe era prometido.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Amputada.
Nasci dali. Ramificada, era uma parte do todo. Crescendo e entrelaçando, sempre erva daninha. Aquela que agarra e prevalece umbilicada. Apoiada naquela raiz, seguia. Velada, adorada, princesa, fotografada. Passo a passo pregava peças, recordações, tatuava afeto. Um amor tão profundo quanto a dor. Que se parte e se soma na divisão. Amor que não se despede. Amor que não deixa. Amor que distancia e aumenta. Amor. A benção de boa noite é substituida pela lágrima. "Benção, meu pai. Deus te abençoe, Santo Antonio te proteja", amém.
No playlist toca: "Da entrega", (O Teatro Mágico).
No playlist toca: "Da entrega", (O Teatro Mágico).
domingo, 10 de julho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
Paradoxal
Finjo que não sinto. Acredito que não sei. Faço de conta que tudo vai terminar bem. Bambeio. Creio. E me apego. Aos fatos, fotos e afetos. Destilo essencia. E à flor da pele, sigo. Vou cada vez mais pra fora, desapegando daqui de dentro, expurgando o "novo eu". Paro pra pensar. Paro pra sentir. Paro pra dar. A vida que nasce de mim, parida e despreparada. Abuso das minhas crenças. E me agarro na fé: das preces, santinhos, terços e pulseirinhas do senhor do bonfim. Vela pra acender. Vela pra pedir. Vela pra oferecer. Vela por mim? É que eu não tenho essa mania de desistir. Se eu machuco, não é por mal. Não me ensinaram a recuar, não aprendi a fraquejar. Desaprendi a chorar. Exorcizo entre notas e versos, de um jeito inverso do que sou. Vou me apresentando todos os dias, não quero gostar. Uma menina que nunca foi boa coisa. Sempre foi diferente, nunca conseguiu sê-mar. Entre dedos, escorre; entrelinhas, descobre. Transito abaixo do que quero, acima do que fui. Sou inteiro. Nunca meio. Desafio-me. Desvendo, desvelo e relevo. Cada dia acordo e... finjo que não sinto, acredito que não sei e faço de conta que tudo vai terminar bem.
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