Entre meus pensamentos e lembranças. Sentir ficou pesado desde que abri mão de não me importar; querer ficou difícil desde que conseguir ficou impossível. E entre esses recortes, eu acho um pedaço meu. Que ficou lá atrás. Antes de você. Já não me reconhecia mais sem juntar as peças e; pensamentos vis, ilusões macabras faziam de uma realidade fantasiosa. Prazer. Eu me chamo... Mas não escuto além de um eco ôco que insiste em me fazer companhia. Mas é que não preciso mais de companhia. Não quero precisar. Quero deixar de ser quem sou pra ser o que eu quero ser. Quero ser menos lá e mais cá. As vezes, um amor platônico tem mais serventia que um risco certeiro. E eu não quero acertar. Sempre. Fui torta. E você, pedaço meu, se perdeu. Se esquivou? Teve medo? Ou só não quis. A gente não explica quando não quer. A gente só não quer. Mas quando a gente quer. Que estraga tudo. Que desanda a mão. Dá a tua. Segurança. E me larga. Forte. Pra eu não voltar mais, não te querer mais, não te precisar mais. Porque embora eu precise, eu não quero ficar sozinha.
No playlist toca: "Quem vai dizer tchau", (Nando Reis).
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
Um dia, quem sabe.
E no meu conto você chega disposto a me arrebatar; me afoga em teus olhos, suspende meu ar, inspira meu sopro de vida. Vai escrevendo na minha pele nosso caminho. Torto. Cheio de longos atalhos perdidos. A gente leciona amor, prega felicidade e gera afeto. Na minha historia não existe final mas, começo feliz. A gente não adoece ou compadece. A gente cede porque diferencia se completando. A gente joga e não julga. A gente aceita e aprende. No meu sonho a gente não acorda, a gente desperta. Irradia. Acalenta. A gente acolhe se colando pra dar colo. Na minha ilusão você me gosta e eu te gosto. E isso basta.
No playlist toca "Exato momento", (Zé Ricardo).
No playlist toca "Exato momento", (Zé Ricardo).
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Até logo mais
Eu rio de mim todas as vezes que penso em você. Não achei que conseguiria ser tão cruel à ponto de me inverter pra achar você. E toda vez que tento não pensar, me lembro que não posso esquecer. Porque ficou impregnado na minha pele, ficou manchado no meu pensamento e cicatrizado na minha alma. Você não ajuda com essa mania de encaixe perfeito em mim. Desejando a lembrança de quando funde tuas mãos nas minhas costas, desliza os dedos segurando meu quadril me fazendo segura. Do desejo, tesão, querer. Carinho. Ficou ôco o desejo de lembrança do que não foi. Anestesiou. E não saio do lugar. Entre passado e futuro, esqueço de me presentear. Não sei quem sou com o "sem você"; tua ausência me faz companhia, vem me completando. A personificação dela, sobraria. Não te quero mais. Quero a imaginação porque nela sou feliz. Incompletamente feliz.
No playlist toca: "Nunca", (A banda mais bonita da cidade).
No playlist toca: "Nunca", (A banda mais bonita da cidade).
terça-feira, 11 de outubro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Máquina de sorvete
Ela vinha imersa em seus pensamentos. Perdida em suas preocupações. Mundinho frustrante. Não percebeu quando ele atravessou em sua frente. Fugia. Cada vez mais pra dentro. Os degraus acolhedores de suas reclamações, a expulsavam. Era tão cotidiano sentar em frente ao Municipal e ficar chorando as pitangas. A vida passava ali. As vezes acenava pra ela. Mas ela nunca acenava de volta. Não era muito sociável. Não gostava de se misturar, conhecer ou reconhecer. Estava muito ocupada contando as mazelas da sua existência. "Ó tragédia grega que não cessa! Por que não me expulsa desse mundo?", pensava num sorriso torto. Procurou num sorvete tentar adoçar aquele cotidiano. Quem sabe ele não teria o poder de lhe esfriar a cabeça? E mais uma vez ela ignorava ele. Estava de costas. Pra tudo. Ele ali. Ela ali. E não enxergavam... A máquina deu defeito! E apitava! Era um grito cortante e deseperador! Não ia sair sorvete, dali. E se assustaram. E se depararam. Estranharam. Questionaram. Deu defeito. Tem conserto? Depende. Vai usar como daqui pra frente? Não adianta consertar pra quebrar de novo. Mas deu defeito! Não poderia partir com uma máquina defeituosa. Ela e ele não ignoravam mais: "Você me ajuda a consertar?".
No playlist toca: "Copo d'água", (Marcelo Jeneci).
No playlist toca: "Copo d'água", (Marcelo Jeneci).
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Saudade é assim: a gente mata uma pra deixar nascer outra.
Saudade é um resquício do que foi bom. Mas se é bom porque dói tanto? Aperta e suspende o ar. Uma vez desisti de ter saudade. Mas ela não desistiu de mim; resolveu me assombrar nas fotos, inbox, horas e ausências. Se impregnou no eco do meu quarto. No oco do meu abraço. Um riso surdo no meu ouvido. E tomou conta de mim. Já não era só eu. Eu também era parte da saudade e ela era parte de mim. Dividíamos a mesma cama vazia, a mesma lágrima sentida, o mesmo suspiro reprimido. A nossa gaveta abarrotada de lembranças saindo pelo ladrão! Procuro. Vasculho. Encontro. Revejo. E parto. Com a saudade. De quem foi, de quem faz parte de mim. De quem faz parte dela. Recorto afetos e colo em mim. Só assim pra maquiar, tentar anestesiar. Levo comigo cada um que a saudade condenou ser sentido. Saudade dói porque é uma presença ausente. E uma ausência presente.
No playlist toca: "Seria o rolex", (Móveis Coloniais de Acaju).
No playlist toca: "Seria o rolex", (Móveis Coloniais de Acaju).
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Papo de boneca.
Mas não procure muito que você vai achar. Um remendo, botão fora do lugar. Não sou perfeita e tenho garantia. Não adianta querer trocar. Não é defeito de fábrica. Simplesmente sou. Não adianta querer me comprar. Simplesmente estou. Não vai muito além, não. Você pode encontrar um coração. É que essa boneca é diferente: não gosta que brinquem com ela. Quer amigos, quer família, quer estrelas e utopias. Não tem dono. Ama, odeia, chora, vive. E se fascina. Descobre e reconhece. Não escolhe. Só tem fé e paciência pra continuar. Se puxar, me arranca um braço. Se forçar, destroça uma perna. E seu eu acabar perdendo a cabeça, não vai dar mais pra gente brincar. Não sou santa , nem diaba. Gosto apenas de voar. Se você remexe muito é porque nunca me amou. Então sigo colecionando meus afetos, costurando quem eu sou.
No playlist toca: Medo da chuva, (Raul Seixas).
No playlist toca: Medo da chuva, (Raul Seixas).
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